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Agronomía Tropical 57(1): 25-30. 2007 ANÁLISE
DE COR, TRANSPARÊNCIA E INFRAVERMELHO DOS FILMES DE FÉCULA
MODIFICADA DE MANDIOCA COLOR,
TRANSPARENCY AND INFRA-RED ANALYSIS OF MODIFIED CASSAVA STARCH FILMS
ANÁLISIS
DEL COLOR, TRANSPARENCIA E INFRA-ROJO DE LAS PELÍCULAS DEL ALMIDÓN
MODIFICADA DE YUCA
Celina
M. Henrique*, Marney P. Cereda** y Nataly Dupuy*** *
Dra. autora da tese, pesquisadora da Agencia Paulista de
Tecnologia Recibido: julio 20, 2005 |
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RESUMO O
objetivo desta pesquisa, foi caracterizar filmes de fécula
modificada de mandioca, quanto a cor, transparência e espectro de
infra vermelho, na expectativa de permitir a avaliação de seu uso no
setor hortifrutícola. Foram elaborados filmes com suspensões
gelificadas de féculas naturais modificadas, incluindo
carboximetilamido (CMA) de baixa e alta viscosidade, cross link
(pré gelatinizado modificado) e esterificada, com 3 e 5% de massa
seca (MS). As soluções filmogênicas foram secas por 24 hs/40 ºC
sobre suporte de plexiglass. Logo após a secagem, os filmes foram
acondicionados a 20 ºC e 64% de umidade relativa, equivalente a
atividade de água de 0,645 por 10 dias, para análises posteriores.
Os filmes assim obtidos foram comparados pelos métodos de
espectrofotometria de cor, transparência e infravermelho com os
filmes de policloreto de vinila (PVC) de baixa densidade com espessura
de 0,03 mm. Todos os filmes demonstraram luminosidade e transparência
semelhante ao filme de PVC. Palavras
Chave: Amido modificado;
filmes; embalagens; infravermelho; cor; transparência; biodegradável;
Manihot esculenta. SUMMARY The
objective of this research was to characterize modified cassava starch
films in relation to color, transparency and infra-red spectrum in
order to assess their use in the horticulture sector. Films were made
with gelatinized suspensions of modified Brazilian starches, including
high and low viscosity carboxymethylamide (CMA), as cross link
(modified pre-gelatinized) and sterified starches, with 3 and 5% dry
matter (MS). The filmogenic solutions were dried for 24 hs/40oC on a
plexiglass support. Shortly after drying, films were stored at 20 ºC
and 64% relative humidity, equivalent to 0,645 water activity, for 10
days, for later analysis. Films thus obtained were compared, by the
methods of color spectrophotometry, transparency and infrared, with
low density polyvinyl chloride films (PVC) 0,03 mm thick. All films
showed luminosity and transparency similar to PVC film. Key
Words:
Modified starch; films; packaging; infra-red; color; transparency;
biodegradable; Manihot esculenta. RESUMEN La
presente investigación
tiene por objeto, caracterizar las películas del almidón modificado
de yuca, en relación al color, transparencia y espectro de
infra-rojo, en la expectativa de permitir la evaluación de su
utilización en el sector hortofrutícola. Fueron elaborados películas
con suspensiones gelatinosa de almidón naturales modificadas,
incluyendo carboximetilamido (CMA) de baja y alta viscosidad, como
cross link
(pre- gelatinizado modificado) y esterificado, con 3 e 5 % de masa
seca (MS). Las soluciones filmogénicas fueron secadas por 24 hs/40
ºC sobre un soporte de plexiglass. Luego después del
secado, los filmes fueron acondicionados a 20 ºC y 64% de humedad
relativa, equivalente a la actividad del agua de 0,645 por 10 días,
para los análisis posteriores. Las películas así obtenidas fueron
comparadas por los métodos de espectrofotometría de color,
transparencia e infra-rojo con las películas de policloreto de vinilo
(PVC) de baja densidad con espesura de 0,03 mm. Todas las películas
mostraron luminosidad y transparencia semejante a la película de
PVC. Palabras
Clave: Almidón modificado;
películas; embalaje; infra-rojo; color; transparencia;
biodegradable; INTRODUÇÃO A
necessidade de se descrever as cores de maneira adequada assumiu
grande importância na área de embalagens e pós-colheita de frutos e
hortaliças, pois representa um compromisso entre o que o consumidor
gostaria de obter e o que o produtor pode oferecer a preços razoáveis
(Judd e Wyszecki, 1975). A
faixa de comprimento de onda visível a olho nu compreende 390 s 750
nm, uma pequena parte do espectro eletromagnético inteiro (Francis
e Clydesdale, 1975). As
cores contidas dentro da faixa visível do espectro podem ser
descritas objetivamente pelo comprimento de onda. Assim o vermelho tem
um comprimento de onda ao redor de 680 nm, o amarelo ao redor de 575
nm, o verde ao redor de 520 nm e o violeta ao redor de 450 nm, o
conjunto de todas corresponde à luz branca, ou seja, ela é composta
por todas as cores do espectro visível (Ferreira, 1991). A
CIE (Commission Internacionale de l’ Eclairage) definiu em 1931 três
fontes padrão A, B e C, simulando, respectivamente, a luz de tugstênio,
lâmpada incandescente (2854ºK), a luz do sol (4870ºK) e a luz do
dia (6770ºK), visando medidas das cores sob condições reprodutíveis
de iluminação. Em 1976 foi desenvolvida a série de iluminantes D,
que incluíam no espectro, pequena porção da luz na faixa do
ultravioleta, constando dos iluminantes D55
(5500ºK), D65 (6500ºK)
relativos à luz do dia e D75
(7500ºK) (Ferreira, 1991). Ghorpade
et al. (1995) mediram cores de filmes através dos padrões CIE
C Lab (L = 0 preto, 100 branco), a = –verde, + vermelho, b =
–azul, + amarelo). Croma
é parte da cor onde não há participação da luminosidade,
representada no espaço bidimensional. O objeto é considerado
transparente quando a luz incidente o atravessa com mínimo de absorção
e reflexão. O oposto da transparência é a opacidade, onde o objeto
absorve ou reflete toda luz nele incidente, sem que ocorra a transmissão
de luz. A cor das amostras transparentes é avaliada pela transmissão
da luz, fazendo a leitura da luz transmitida (Ferreira, 1991). A
transparência (baixa opacidade) é importante em situações onde o
produto embalado deva ser visto. Poucos são os trabalhos que
relatam cor e transparência em biofilmes, e os que fazem a
determinam por absorbância em espectrofotômetro (Cuq et al.,
1996; Gontard et al., 1994). Sobral (1999), determinou cor e
opacidade por colorimetria de filmes à base de gelatina e proteínas
miofibrilares. A
absorção da radiação infravermelha depende do aumento da energia
de vibração ou de rotação associada com uma ligação covalente,
desde que esse aumento resulte numa variação do momento dipolar da
molécula. Isso significa que quase todas as moléculas contendo
ligações covalentes mostrarão algum grau de absorção seletiva no
infravermelho. As únicas exceções são os elementos diatônicos
como H2, N2 e O2,
porque nesse caso não há movimento de rotação ou vibração que
produza um momento dipolar (Ewing, 1972). As
causas dessas alterações podem se localizar no aparelho
espectrofotométrico, devido a variáveis como largura da fenda e
velocidade de varredura, ou na amostra por efeitos de solventes e
temperatura (Ewing, 1972). Segundo
Dupuy (1997), a faixa espectral que deve ser considerada para analisar
amidos é de 4000 - 700 cm-1,
com ênfase na região denominada “impressão digital”, de 2000
- 700 cm-1, que possibilita
uma investigação da estrutura molecular dos compostos. O
estudo espectroscópico na região do infravermelho de amostras extraídas
de fécula natural de mandioca e de batata doce foi considerado por
Santha et al. (1990) com o objetivo de observar diferenças
estruturais entre as féculas de diferentes variedades. Eles
compararam os espectros obtidos, mas não conseguiram correlacionálos
com diferenças no poder de inchamento dos grânulos. VanSoest
et al. (1995) realizaram estudos de fécula de batata
empregando a espectroscopia na região do infravermelho médio. Concluíram
que a diferença de cristalinidade granular, ou seja, relacionada à
quantidade de material amorfo nos grânulos e, portanto a quantidade
de água interagindo com pontes de hidrogênio intramoleculares, pôde
ser estimada através das bandas de absorção a 1.047,
1.022 e 994 cm-1. Com
a espectroscopia é possível estudar as mudanças do espectro do
amido durante a geleificação e retrogradação, o que permite
diferenciar espécies e determinar o grau de cristalinidade em
filmes de amido (Rindalav et al., 1997). Inagaki
et al. (1994) estudaram regiões das bandas do infravermelho
médio em filmes de poliamidos e separaram algumas regiões e suas
prováveis estruturas: 1.738
a 1.689 cm-1
seriam vibrações dos grupos carbônicos; 1.750
cm-1
C=O; 1.650 a 1.615
cm-1 C=O;
1.558 a 1.512
cm-1
C=C; 1.375 cm-1
C-CH3; 1.240
cm-1
C - O e 1.020 a 1.040
cm-1
COH. Porém, existem situações onde a absorção no infravermelho
é alterada mais ou menos fortemente pelas condições onde é
observada, devida essa alteração
deve-se ter cautela ao determinar a estrutura de uma substância
desconhecida. Amidos
oxidados assim como alguns derivatizados (carboximetil, carboxietil,
entre outros) apresentam carboxilas em suas moléculas, mas em concentrações
comumente menores que 1% e que raramente atingem 3% (Smith, 1967). O
objetivo desta pesquisa foi caracterizar filmes de fécula
modificada de mandioca, quanto à cor, transparência e espectro de
infravermelho, na expectativa de permitir a avaliação de seu uso
no setor hortifrutícola. MATERIAL
E MÉTODOS Como
matéria-prima para a formação dos filmes biodegradáveis foram
utilizadas fécula natural (Brasimid) e féculas modificadas
comerciais de mandioca: cross link - pré gelatinizada
(Amidomax 3500 - Cargill), carboximetilamido de baixa e alta
viscosidade (Flexamid - Celuflok), esterificada (Lorenz). As suspensões
filmogênicas, concentrações de 3 e 5% em água, foram analisadas.
Como controle foi utilizado o filme plástico de policloreto de vinila
(PVC) de baixa densidade, com espessura de 0,03 mm, utilizado comercialmente
para embalar produtos alimentícios e produtos hortícolas minimamente
processados. Para
análise de cor foi utilizado espectrofotômetro U.V. visível - Cary
50 Bio - Varian, Programa Color. A leitura foi feita na faixa de 780
nm a 380 nm, intervalo 1 nm, coletando dados nos iluminantes CIE C
(luz do sol) e CIE D 65 (luz do dia), com observação de 10 graus. As
análises foram feitas em transmitância Hunter Lab. Foram coletados 2
espectros amostra como repetição. A
transparência foi caracterizada no mesmo aparelho, utilizando o
programa Simple Reads, avaliada indiretamente pela transmitância
na faixa de 720 nm. A
caracterização dos filmes através da espectroscopia na região do
infravermelho médio foi realizada no laboratório de Spectrochimie
Infrarouge et Raman (LASIR) / Université des Sciences et Technologie
de Lille (França). Foi utilizado espectrofotômetro Perkin-Elmer
(Spectrum One), provido com acessório de reflectância total atenuado
(ATR), equipado com um cristal de diamante. Os
espectros foram coletados no mínimo 4 vezes por amostra, tendo
sido feitas 20 varreduras em cada repetição com resolução 4 cm-1. A faixa espectral considerada foi de 4.000
a 7.00 cm-1,
com ênfase na região denominada “impressão digital”, de 2.000
a 700 cm-1,
que possibilita uma investigação da estrutura molecular dos
compostos analisados (Dupuy, 1993; 1997). O
delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com 5 blocos
e 5 repetições. Os dados experimentais foram submetidos à análise
de variância e as médias comparadas através do teste de Tukey ao
nível de 5% de probabilidade O processamento dos resultados foi
realizado com o programa “Statistical Analysis System” (SAS). Foi
utilizado o programa Systat 8.0 para elaboração de histogramas para
espessura e gramatura. Os
espectros médios foram convertidos em arquivos numéricos, e sobre
os valores das análises metodológicas, foi realizada análise de
componentes principais (PCA) (Windig, 1988) e para as análises
quantitativas empregou-se a metodologia denominada regressão de
quadrados mínimos parciais (PLS) (Martens e Naes, 1988). Pode-se
dividir a aplicação da análise de Componentes Principais de acordo
com Aspectos Qualitativos (Análise Exploratória e Classificação) e
Quantitativos (Calibração Multivariada). RESULTADOS
E DISCUSSÃO Seguindo
a metodologia de Ghorpade et al. (1995), que definiu da equação
como a = – verde, + vermelho; b = – azul, + amarelo. O
Quadro 1 mostra os índices de cor luz do sol (CIE C) e para luz do
dia (CIE D65), de brancura (W) e amarelo (YE313, YD1925). Para essa análise
foi utilizado o corpo negro como fundo, o qual absorve e emite toda a
radiação, conforme recomenda Ferreira (1991). Analisando
CIE C e CIE D65, observou que os valores dos índices de
luminosidade a e b (Lab) são semelhantes, não ocorrendo variação
expressiva entre eles. Os
índices de luminosidade (L) dos filmes de fécula modificada
foram semelhantes ao resultado do controle, sendo que os filme de
CMA de baixa viscosidade a 3% e o esterificado a 5%, apresentaram os
menores valores, com confirmação dos valores de índice de
brancura que também foram os menores. Segundo
Ghorpade et al. (1995) valores de L próximos a 100 indicam
branco, dessa forma pode-se dizer que todos os filmes podem ser
classificados como tendendo a branco.
Esses
resultados podem ser interpretados como uma propensão dos filmes de fécula
modificada de apresentarem a mesma luminosidade em ambiente, em
relação ao filme controle (PVC de baixa densidade). A
análise dos valores de índice a dos filmes controle (PVC), CMA
alta viscosidade (3 e 5%), cross
link a 3% e esterificado a 5% possuem coloração tendendo
a verde e os demais a vermelho, a análise os valores do índice b,
mostram que cross link
possui coloração amarela e os demais, azul. O
Quadro 2 apresenta os índices de transparência dos filmes, onde não
foi observado diferença significativa entre as amostras de todos os
tratamentos. Os filmes de CMA de alta e baixa viscosidade a 3% e o cross
link a 5% apresentaram valores semelhantes ao controle. Como
o controle utilizado é um filme plástico (PVC de baixa densidade),
utilizado comercialmente para embalar alimentos e hortícolas
minimamente processadas, a semelhança entre os valores foi um fator
positivo, pois conforme afirmaram Gontard et al. (1994) e Cuq et
al., (1996), o produto deve ser embalado de tal modo que seja
visto, e o controle apresenta as característica de transparência
aceitas no mercado. As análises de infravermelho médio estão caracterizadas nas Figuras 1 e 2.
A
Figura 2 revela que os filmes de fécula modificada não foram
facilmente diferenciados pelos espectros, pois aparentemente
possuem as posições dos picos de absorção semelhantes, na região
da “impressão
digital” (2000 - 700 cm-1).
Todos os filmes foram obtidos de fécula de mandioca que passaram por
algum tipo de modificação, portanto a estrutura básica é mesmo
amilose e amilopectina. Segundo Smith (1967), as modificações
provocam alterações de menos de 1% em peso na fécula natural, mas
comparando a Figura 1 e 2, nota-se que os grupamentos do filme
utilizado como controle são diferentes dos filmes de fécula
modificada. Na
Figura 2, observou-se que provavelmente na região próxima a 3.200
cm-1
ocorreu uma banda de água em todos os espectros. A banda do
infravermelho médio na região 1.738
- 1.689 cm-1
tem
característica de vibrações dos grupos carbônicos (Inagaki et
al., 1994), e nas regiões próximas à 1.240
cm-1
grupos de C - O e mas de 1.020
– 1.040 cm-1
grupos de COH. Segundo VanSoest et al. (1995) a região próxima
a 994 cm-1 pode ser estimada
como pontes de hidrogênio. CONCLUSÃO Todos
os filmes apresentaram luminosidade e transparência semelhante ao
filme de PVC de baixa densidade, com característica de brancura. BIBLIOGRAFÍA Cuq,
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